à cervical

A libélula partia, fim de outono, poucas folhas em melodia crescente de meia lua. Uma metade das cordas e os timbres partidos na solidão plena das suas asas. Pouca liberdade era pouco. Orvalhos roucos que passam a noite em claro, soro sagrado da tez das folhas, dedos leves pelo ombro da copa da floresta negra. Lentidão da abóbada que observa atenta os medos dos olhos. Oráculos mudos do futuro que desenham tatuagens na terra, fotografias amassadas que alimentam a fogueira. Labaredas dos pés fugidos e descalços. Chão nu e tenso debaixo da madrugada. Sacerdotes do silencioso céu, apostando contra a derradeira estrada vazia, a única linha através das cores. Verdades intactas dento das palmas cerradas e sopro esquivo da cervical dos sentidos estendidos. A libélula pousava, início desconhecido, folhas desintegradas, meia lua crescente na melodia. Cordas partidas e timbres soltos no vagar das asas. Muita liberdade era pouco. Noite rouca clareando os cantos dos dedos, sopro sagrado entre os orvalhos das folhas. Abóbada dos olhos atenta ao lento medo. Futuro mudo do oráculo que tatua fotografias na tez da terra, as labaredas amassadas pelos pés descalços na fogueira. Céu nu e tenso sobre o silêncio e sacerdotes da estrada fugidia, apostando contra o chão intenso. Única dor através das linhas das palmas vazias e intactas por dentro das verdades encerradas. Sentidos esquivos do sopro vital da extensa cervical.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s