retrato de ambos

Eles ficaram, despidos. Os cílios em conflito, a alma fundindo no meio do caminho. Mais difundida. Que o que se ancora é com as mãos, o sorriso, o tempo. O vento que atravessa, ultrapassa, recomeça com a mesma intensa volúpia. Desembaraçaram-se, cada um dos nós, desamarraram tudo. Desfizeram tudo o que haviam feito, pra reaprender e reprender como se faz os nós, que o nós é feito desses laços malfeitos. Repetem-se as curvas, daqui para adiante – então se desenha outro embaraçado de sensações estranhas. Eles são razoavelmente pretendidos: feitos de desvios, metáforas e caminhos escolhidos para ir e voltar. E dizer sua realidade com palavras de fantasia. Não é possível abstrair propositalmente todas as materialidades com som de telefone tocando de madrugada, perfume de pêssego no corpo, um fechar de olhos pra ouvir mais conscientemente sua respiração. Eles vieram descobrir quão morno pode ser o beijo, em troca roubaram um do outro mais temperaturas do que qualquer corda de guitarra poderia suportar, mais do que aquela música suportaria tocar. Pedem estar, permanecer e tudo aquilo que puder ser um pouco mais. As cortinas com a janela, abertas para o que estiver lá fora.

É vento…

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