flor de papel

Não era gengibre, era álcool. Perfume das ruas pelas quais não passei, anel no dedo certo, o motivo errado. Desça as escadas, vire à esquerda. Alguma esquina aguarda. Comprei um sonho, tudo que posso lhe dar, já que não tinha torta de morango. Guardanapos dobrados, depois amassados como todos os sonhos que tentamos reconstituir. Inutilmente. Existe um vértice – eu choro, ele espera. Existe um metro de distância, os olhos e a garganta. Existe um abraço, um ombro pra segurar as pálpebras antes que despenquem junto comigo. Pedimos o mesmo agora. Não embrulho futuro pra presente. Dez minutos a mais. Existe um atraso – eu fico, ele me acompanha. Todos os pontos cardeais do seu corpo insistem em me dizer não. Seu cerebelo perdeu o pecado. Uma via crucis feita de desejo insuportavelmente repreendido. Rezei mais ave-marias. Existem cortinas – eu não durmo, ele dói. Entornei outra madrugada sobre os lençóis que não se desmancharam porém. Peço amor, depois parto. Já sei o caminho de cor, parto-me inteira em pétalas de mentira. Levo na mão uma rosa desde ontem. Ele não pode me dar. Cochilamos nos ombros, ao som do metro. Não me perca na próxima estação.

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