o mesmo acorde

serei passageira
da sua história passada a limpo
só mais uma das suas pedras
perdidas na estrada derradeira

foram-se quatro
só um terço que rezo à noite
pra sufocar o que é eterno
no silêncio do meu quarto

foram partidas
jogadas a esmo nas cartas
rasgam-se versos-meios
nas nossas negativas

vim menina
fugi mulher que adoeceu
adormeci mesmo ferida
cobri-me de cortinas

noventa reais
rua sem nome na calçada
casa sem número na porta
repare que há janelas iguais

acordei segunda
nos outros dias da semana
não houve nenhum minuto
em que não me senti imunda

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