ela

não se permite dormir
e não se permite acordar
não se permite comer,
nem degustar, nem digerir
não se permite planejar,
não se permite criar,
muito menos destruir

não se permite somar,
subtrair ou multiplicar
que esta dor não dorme,
ela amanhece sem dormir
e por isso não acorda,
só se deita e não se fecha
a dor não sonha
a dor nem se alimenta
que ela é o próprio alimento de si,

sem gosto, sem paladar,
depois vem a náusea
e a ânsia de ser apenas
dor, ela não se digere,
porque de si nada se aproveita
a dor não tem caminho,
não se constrói,
apenas consome por dentro
como um buraco negro que não some
a dor em nada acrescenta,
em nada diminui e,
de tão insuportável, não aumenta

ela dói.

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