banho de espuma

Os dedos do pé ficavam para fora da água observando o movimento das ondas, enquanto a gente segurava a respiração e mergulhava a cabeça. O mundo emudecia e eu ficava ouvindo seu coração cantando Beatles, a gente fingia que aquilo não ia acabar outra vez. Aqui, lá e qualquer lugar podia ser a hora de dizer, mas ninguém dizia, era mais certo entupir os ouvidos de água.
A gente era um sorvete de baunilha, o Monte Everest e todos os gostos bons e lugares que faltavam conhecer. A gente tinha o dom de imaginar todos os cavalos selvagens cavalgando pela encosta, como se fosse só isso, fugir. E a gente ria tão alto, fazendo as bolhas de sabão explodir. Isso se chamava beijo.
E tinha gosto de sabão e fazia cócegas.
O melhor jeito de controlar sua intensidade e deixar o tempo irresistível. A gente gastava tudo o que tinha, jogava para o alto. Era neve. Ia caindo do teto… eu soprava todas as bolhas, eu até suspirava. Suspiro é riso, quase doce, é a sobremesa.O vapor da água ia subindo pela face, eu nem morri de vergonha, eu atingi você. E você se vingou com mais força, até que eu me afoguei, engasguei.

Ainda tem gosto de sabão.

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