esforço bilateral

Ainda é uma latitude estranha, como se dois esporões repuxassem cada lado da minha boca, até que ela alargasse inevitavelmente e eu não parasse de sorrir. No espelho, meus olhos aprofundam-me:

Por que você está fazendo essa careta?

Eu não sei.

Fico tentando arquitetar alguma explicação lógica, listar os motivos… o que construí no lugar são um monte de paredes e lacunas por onde corro, sem rumo. Meu labirinto é este: as dúvidas que eu levanto à minha frente, pra ter uma desculpa pra virar o rosto e não ver que neste sorriso tem algo mais fácil que não precisa explicar.

O que é? Não sei.

Me fala! Não sei.

Por que você não quer me explicar? Porque eu não sei explicar.

A minha vida, sim tão tortuosa, também foi cheia de não-seis. Não sei minha cor preferida, não sei qual foi o momento mais importante, não sei quem foi o pior inimigo e muito menos quem amei mais. Mas entenda que sou tão intensa que chego a duvidar do poder destrutivo das coisas. E se eu duvidar mais, dói.

Até que eu tive que me calar. Ter certeza me dá agonia de ter certeza, como se alguma força invisível estivesse tentando arrancar algum órgão vital através da caixa torácica ou ele próprio quisesse sair sozinho por ali, o pulmão talvez. Sem cortes. Como se respirar fosse transpirar essa certeza pra fora de mim.

Acontece que…

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