todos os segredos

Vou atravessar a rua, quando o sinal abrir. Tudo verde, menos meus olhos. Há muita noite e ainda mais estrelas que vou começar a contar e perderei a conta de quantos dias ainda quero estar sem os pés no chão. Não me diga o plano de vôo, sabemos que vamos pousar numa ilha deserta e numa avenida movimentada de São Paulo. Ouve esse silêncio entre os carros quando você me disser que eu pareço estrangeira com minha mala nas costas, trazendo toda a bagagem que se precisa pra estar ao seu lado. Ao menos uma agulha, band-aids, um cachecol colorido, aspirinas com coca-cola. Se o inverno chegar, estarei preparada, então não largue das minhas mãos nesta selva urbana, não se perca nas travessas cheias de mentiras. Saiba que não minto, basta ouvir meus batimentos e observar a ponta do meu nariz dizendo o caminho do mapa do tesouro. Eu sei que parece longe e meus passos são curtos, talvez até demore pra eu dizer tudo, mas eu não minto. Pode ser que venha uma palavra por vez, mas neste emaranhado você vai ler minha carta sabendo de antemão que até na contramão eu vou te buscar. Virá outra ventania e vou tremer de frio de medo de arrepio de receio de tesão de amor que até lá. Batemos na porta. Abrimos a porta. Entramos e deixamos entrar nossos pés de lama e os cabelos empoirados dessa viagem atravessando um deserto e um pântano. Vem me dizer quantas histórias absurdas ainda vamos descobrir e não vou desistir, não vou, não vou. Só isso eu não faria por você. É tão pequeno, perto do abraço daqui uns dias que não preciso de palavras, preciso dos sons desconexos pra ter certeza que tanta satisfação na cabe não garganta quando os olhos fecham. Piscarei mil vezes antes de acreditar na perfeição da sua presença, meus pés grudam no chão, não ando, não saio, não caio e que eu saiba quem se importa se eu parar aqui? Então não venha duvidar, você não sabe o tamanho de mim aqui dentro se apertando pra fazer espaço pra você dentro de mim e da minha casca. Eu me reorganizo pra você caber inteiro com seus dengos e seus resmungos e suas dúvidas e até mesmo pra caber os seus sonhos. Pra caber e não deixar molhar na chuva. Então não duvide e não jogue nada fora pra que o esforço não seja em vão e não fique nenhum vazio. Então abra algum espaço entre os seus braços pra caber um pouco de mim, que se a gente dividir, não falta nada nem espaço. Guarde um pouco pra depois que a gente nunca sabe o que mais vai precisar caber, talvez algumas respostas e certezas, algumas decepções, talvez até umas esperanças precisem caber. A gente dá um jeito de curvar no ângulo do seu sorriso, ali num cantinho das covinhas vai caber mais uma surpresa ou outra. Quando der fome, vai caber ainda mais desse carinho nosso de cada dia. Nesse caminho nosso, quantas pontes, quantas fontes, quantas moedas jogadas e desejos esquecidos pra realizar, quantos montes e cantos e até recantos que às vezes vou ficar rouca pra cantar aquela canção pra você, mas leia meus lábios e vai saber que ainda lembro cada sílaba do nome do que a gente ainda nem sabe.

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