100 watts

Como num sobreaviso, ela já sabia. Vinha uma pontada cruciante, sem doer. Mas o medo de doer era um interruptor. Luz acesa era um desespero. Ela se perguntava quantos dias e quantas noites, às vezes fingia o mundo no travesseiro, outras vezes escondia. Mas aquele tic-tac continuava a persegui-la, como o tempo que fingia paralisar, mas corria. Corre, meu amor, corre, ainda é cedo. Quando anoitecer, se for demais, não há volta. E, no meio do amor e do medo, veio sombra. Ela não conseguia mais encontrar seu rosto, parecia ser outro sorriso, outro olhar. Algo escarnecedor. Entrou em pânico, será que acordara de repente em outro lugar? Outra pessoa seria, ou a mesma? Pra saber, precisaria acender a luz.

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