a calçada da rua da consolação

Eu, no meu lugar. Abracei meus joelhos pra ter mais paciência. A vida está fria, eu pensei, era ruim se conformar que por algum acaso eu me encontrava na Consolação. Sozinha. Ali era um breu desconhecido, fumaça de estranhos e a esquina de todas as histórias que não deram certo. Talvez a sina fosse o não acontecer. Os não tragos e não goles e não beijos. Pois ali tudo ficava pairando, num diálogo de olhares que não dizem e de gestos que não seguram. O copo suado sobre o balcão e o copo roubado. Pois é a única coisa que se rouba, e o resto não. Fica do lado, a meio centímetro, mas nunca encostado. Fica à mercê do desejo mas diga você os motivos entrecruzados dos olhos, dos risos e nãos. Me desculpa não dizer ou me culpa por você.

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