a sua plenitude

É uma coisa só: você estragou tudo. Essa parafernália de ser um silêncio, uma loucura, uma confusão, quem entende? Eu não tenho um tostão mais pra gastar com isso, pra ser uma paciência vestida de simpatia. Eu quero mesmo é ser seu buraco negro e sumir com você de um jeito que eu te roube, que eu te consuma até o pior dos pesadelos e a sua camisa preferida, que eu te engula com a voz de quem fica rouco. Mas de dor mesmo. Eu ia te fazer sucumbir até virar areia, pó e ia assoprar que nem uma vela no dia do aniversário. Fazer um pedido com a boca fechada, com as pernas cruzadas, com as mãos entrelaçadas quando atravessa uma rua. E depois você ia cair sem sentir gravidade nenhuma, ia dar um alívio quando você sentisse esse medo, esse medo insuportável que é nunca chegar no chão. Não me poupe dessa dor, porque eu não vou te poupar. Eu tenho tanto ódio, tanto rancor, tanta ironia e desejo de vingança e quando explode tudo isso, no vácuo do universo, sabe o que vira? Vira amor, mas desse que você nunca soube, porque não tem gosto do seu drink, nem do cigarro que apagou e nem das aspirinas. Você quer ser uma cicatriz e não uma tatuagem, quer ser o flash e não a revelação. Mas sua alma treme ali no canto, vai ficar noite e mais frio. Não se perdoe, eu já fiz isso antes, eu já amei com gosto de gin e a ressaca passa. Só que depois, de tudo isso que não é nada, você vai ler o começo do texto de novo e pensar que idiota que estúpido que infeliz.

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