desvario da primavera

Essa flor foi
picotada na tesoura
dos seus dedos frouxos.
Foi tingida,
foi preenchida,
foi beijada
na cor errada.
E ficou
no meio uma confusão,
um mais ou menos,
um degradée.
E ela se esconde.

A essência vai
além das cores.
O branco se mancha,
o seco se chove
e o botão
que não se abre, apodrece.
A flor perdeu a estação
e, sem desabrochar, adormece.

Ela não será a sua poeta,
nem caduca nem completa,
nem de espinho nem de pétala.

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