arrepio

Penumbra: a fuga do tempo na luz, não existiu mais nenhuma fonte. Eram feixes, mergulhos, bolhas, cheiro de água sanitária. Quatro paredes, uma tampa, sons nus. Braços entrelaçados, pernas dobradas, nenhum foco nem movimento, só a minha pele incompleta, entorpecida, irrelevante. A janela fechada, trancada, encerrada, incorporada no meu ser fechado, trancado, encerrado. Boca amarrada de algo comido podre por dentro, uma mordida incisiva e falha. Seja o desejo, o caos, o desastre, a navalha. Nada.
Suspiro: a proposta do vento nas cortinas, não existiu mais muito silêncio. Eram ecos, martírios, estouros, aroma de café coado de manhã cedo. Quatro arestas, duas abas, mãos vazias. Pés indecisos, passos cautelosos, nenhuma resposta nem conclusão, só a minha pele descoberta, provocada, devastada. A alma fechada, trancada, encerrada, incorporada na dúvida semicerrada dos olhos. Boca inibida de algo engolido às pressas, uma mordida insípida e feita. Seja a dor, a causa, a defesa, o novilho.

Tudo.

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