origem do pulso

São as estruturas de que desabam, dessas lembranças e sonhos feitos de areia. Brincamos um dia na praia, fizemos castelos, muralhas, torres – ficamos inalcançáveis. Olhamos as ruas, os carros os pontinhos de pessoas se locomovendo, olhamo-nas como reis que se conformam com o reino, como atores que dublam marionetes. Vestimos capuzes negros pra não sermos reconhecidos no futuro como ladrões de sentimentos alheios, ficamos atrás das vitrines insufilmadas, premeditando esse estratagema sórdido que fazemos dentro da própria mente pra nos enganar, nos livrar da culpa ou do arrependimento. Somos arquitetos dessa catástrofe que desce o barranco numa avalanche de crises existenciais e também somos todos esses espelhos prostrados frente a frente. Vejo meus olhos e jamais a minha nuca, eu fito o futuro mas nunca o passado. Esse futuro que, no entanto, é uma invenção inteligente, com encaixes de engrenagens fazendo essa roda gigante girar, com um sonho em cada cabine. Suba na próxima, enquanto rodamos vou te mostrar meus poemas, minhas melodias e minhas insanidades, até que acabe a saliva de tanto se falar com essa ânsia de se entender num cubículo de quatro janelas. Não sei onde está o norte porque o céu está nublado. E agora que terminou essa volta de trezentos e sessenta, sinto muito pelas náuseas e sintomas adolescentes, temos que descer e abandonar essa cabine, que o mundo real gira pra outro sentido. E não estamos sentados discutindo política nem muito menos amor de padaria. Pode ficar com o troco.

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