carta ao poeta

Sem envelope, sem endereço
linhas sem regras e limites
desafio-te a rasgar
em vez de verbos, o papel
todos os versos soltos
sejam amassados
dentro das mãos
A tinta mancha
no canto da palavra
confunde o olhar
embaça o sentido
desfaça a canção
descrita em caracóis
O centro é o fim
deste redemoinho
o começo é aí
em qualquer letra maiúscula
não começa um alfabeto
no banco da praça
palavras não são degraus
pra se sentar em silêncio
mas como grafites
que sujam a parede
de toda convicção
Uma após outra
conjugação e signo
num labirinto empírico
por onde se foge
em corredores sem saída
Não esquece
labirinto tem só entrada
esperto é quem ganha
o coração.

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