indômito

Não me lembro que roupa você usava, se a camisa era branca e se tinha botão. Não prestei nenhuma atenção, nem no filme nem na melodia nem na distância que se diminuiu nem no descaso com minhas convicções nem em quantas vezes eu disse que não. Eu sei que eu disse. Ficou tarde depois da meia noite, e era muito cedo às seis da manhã, ficou um sufoco em algum momento e depois ficou leve demais pra se dormir, ficou um corredor aberto e era um vazio que me atormentava. Desde então. Às vezes é uma vitória se sentir derrotada, outras vezes a derrota é vencer. Horas adentro, bagunçamos tudo, e eu perdi a certeza de que podia trancar minha selvageria dentro de um baú, tinha horas que não cabia mais. Talvez o certo fosse não prendê-la, pra que não ficasse tão grande. Deixar fora essa fera indomável, do jeito que é perigosa, quem sabe se acostuma com o mundo e se domestica na convivência, sem morder, sem rosnar e sem assustar ninguém. Pode ser a solução que eu precisava, errar entre as sombras, emudecer os ecos, estacionar um sonho na garagem enquanto a noite não acaba. Meu animal, eu vou tirar do baú pra ver se sossega, não vou esconder que eu sou errada. Mas agora que está aí liberto, não me atormente. Quero meu sono sozinha, essa solidão é o que me segura em mim, entenda. Eu preciso te deixar do lado de fora.

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