risco de fósforo

Te feri invisível feito um raio x
atravessando trevas e brumas no seu ser
como um fantasma acendi em seu peito
chama inflamada de silêncio
um fogo transparente que tremula
e a cera que se deforma lentamente
seu rosto é cera, seu corpo é cera
se desfaz
na gravidade que torna vil a existência
não cabe o líquido na solidez da minha face
não coube um beijo onde houve pausa
nem palavras souberam se atrever
fora da boca
e na mudez que consumia ardentemente
os olhos sorriram fiéis atrás dos vultos
ambos em pares correndo e fugindo
sem se dignar a um encontro cego
mas naquele vão
naquela vala
numa lacuna
no meio do caminho
atravessaram em dança inconsciente
como se nada houvesse mais ali
além da gente

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