avenida brasil

disse adeus como quem acena do ônibus
enquanto você reluta em parar de olhar lá do ponto

no primeiro ponto da avenida brasil, todas as chegadas e partidas
todos os quase encontros e os desencontros
todos os quase beijos que vêm dos olhos
todos os nossos quase eu-te-amo em silêncio
na esquina da avenida brasil, passa-se o ponto
onde houve um bar com suas mesas redondas largas demais
onde tomamos chope e depois fomos tomar um ar
onde tomamos coragem e nenhum juízo
no cruzamento da avenida brasil, atravessamos a via láctea
passamos sobre um rio quase seco, um quase esgoto
ali onde um manequim assiste os casais passarem de mãos dadas
no ultimo ponto da avenida brasil, todos os corações partidos
dentro de ônibus sem rumos e sem itinerários
olhando o relógio parado no mesmo santo horário
do meu atraso de todo dia dentro do seu abraço
eu disse a deus como que aceno do ônibus?
se no ponto só há eco, sombra e um fantasma
dos amores que tivemos pelas manhãs, tardes e noites?

questionando, eu disse a deus
relutante, eu disse adeus

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