aquele amor que tivemos

A falta que eu devo fazer se compara ao meu sofá. Sento-me aqui, tiro as roupas e as censuras. É noite, quase fria de semiestação. Vejo um filme e admiro a fotografia arquetípica e encaixada. Cidades urbanas que tanto gosto, tem gosto do cigarro aceso aqui neste cinzeiro novo. Eu fumo meu cigarro, com a pele. Visto somente uma calcinha blasé e sem graça. Mas eu gostava que você me achava sexy assim mesmo. Pedia-me pra fumar nua e você me assistir enquanto escrevo, ou canto ou penso na vida. Era aquele nosso silêncio que fazia sentido. Eu pintei minhas unhas, ficaram toscas e mal feitas. Eu sou um desastre para as coisas comuns e você me assistia. E eu ficava pendurada em seu sorriso, aguardando. Você gostaria desse filme que escolhi agora, desta cerveja que escolhi agora, desse silêncio que escolhi agora. Eu guardo uma nostalgia, mas não me deixa vazia. Por sinal, me preenche momentaneamente essa saudade. Feche os olhos e sinta meu beijo com gosto de cinzas. Acabei de tragar outro suspiro por saber que um amor assim foi bem feito por um tempo e me bastou.

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