garça branca abre as asas

A grama recém cortada amarela na luz no poste. São seis horas com calor de três e escuridão de oito. Tudo se evapora. Eu, quando na caixa do meu ventre, sinto que borbulho e entro em ebulição. Minhas mãos se evaporam, mornas e leves, penas que decolam lentamente numa dança sem par. Invisível você me guia, como se vestisse com a minha pele e os meus ossos e entrasse em cena. Por alguns minutos sinto que tenho sido você a cada passo calculado de movimento. No entanto, estou tão cheia de mim que não caberia mais nada além do meu esvaziamento mental a cada respiração. Eu conto em oito tempos em oitenta vezes em que fomos tão oito ou oitenta sem encontrar o ponto de equilíbrio pra dar as mãos quando se precisava. Mas sozinhos sabemos dançar tão bem uma quase valsa voluntária. Meu corpo ainda tem mais ciência de onde estou indo do que eu mesma. Minhas mãos levitam, como se eu tivesse aceito um convite pra dançar. É só a luz amarela que me assiste enquanto alço breves voos, solitária e esguia. Garça no meio da praça, é proibido pisar na grama.

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