o mundo que se cala nas buzinas

todo mundo merece um beijo cinematográfico uma vez na vida

aquele arrebatado que parece dança no palco vazio e parece música no silêncio e parece escultura de mármore em meio à selva. aquele beijo, sabe. que faz perder o ar e faz perder a hora e perder até a consciência. aquele que faz o público parar para assistir e a privacidade se abstrair do próprio privilégio.

uma vez na vida todo mundo deveria ser protagonista da cena e roubar o roteiro, alterar o diálogo escrito e calar-se entre as bocas. todo mundo deveria beijar e ser beijado, como se o mundo cristalizasse.

todo mundo deveria passar vergonha com um beijo roubado na calçada ou na chuva ou dentro da piscina. todo mundo deveria dançar tango e todo mundo deveria despir-se com os olhos e todo mundo deveria desligar o rádio e a trilha sonora e a poluição. todo mundo deveria…

uma vez na vida todo mundo merece ganhar esse beijo ou dar esse beijo ou roubar esse beijo ou se apropriar desse beijo ou ocupar esse beijo ou invadir esse beijo.

aquele de parar o trânsito e fazer os transeuntes buzinarem e os passantes aplaudirem, enquanto não se escuta nada além. todo mundo deveria tirar o fôlego e tirar mentalmente todas as censuras e abrir as bocas e fechar os olhos.

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