eu virei um abajur

E simples como um peixe, fui fisgada.

A moça da aura verde passou deslizando e me chamou feito uma sereia naquele mar de gente. Segurava nas mãos um recipiente enganoso. Que sincronia encontrar-te pela terceira vez na vida nos últimos três dias. Ela me deu um abraço e antes de ir embora passou-me seu perfume de brisa.

Fui invadida tal como uma favela. Como se tivessem aberto uma torneira de elétrons sobre mim, eu tivesse sido eletrificada por um segundo. Eu acendi no escuro, pisquei feito uma lâmpada de abajur. Eu virei um abajur no lugar da cabeça do manequim. Meu peito ficou plástico e minhas pernas foram engessadas no concreto. Tudo isso, intensamente, passou-se num segundo, como se tivessem me roubado de mim neste segundo e de repente me reencontrei com meu corpo e voltei a perceber onde estava naquele alto mar. Passei a deslizar.

E simples como um peixe, fui fisgada.

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