fome

a poesia tem fome
mas cozinha em fogo brando
não deixa queimar o verso
sem que haja clímax ensandecido
ou desejo irremediável
a poesia não almoça rima
se alimenta de corações partidos
faz da dor uma salada fresca
e da paixão seu prato principal
quem morre poeta um dia
não passa mal de úlcera
só sofre vez ou outra
do peito atingido por fel
e do verso sem pontuação
mas a poesia mesmo
só tem fome de saber
se amor é métrica
pro café da manhã

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