desacaso

eu sou o que arde
não deixo pra mais tarde
nem a chama nem a cinza

eu sopro

gosto do vento
gosto do intento
a minha intensidade é ser e estar

escrevo meu nome com a ponta dos dedos na sua pele
quero que você se lembre
quero que você se lembre
até do número na porta
até do quando sou torta
na mordida
nas mãos
nos olhos

tudo bem se a gente perder a hora
tudo bem se a gente tropeçar no tempo
tudo bem se o amor ficar atrasado
eu deixo pra depois
eu deixo pra lá

vou fazer um poema mal feito
que te faça saber que ainda é o seu beijo
o grande problema que move revoluções
aqui dentro colocaram fogo nas lixeiras
continuo ardendo como uma multidão ensandecida
mas em vez de cobrar amor,
eu peço adeus

e continuo cética sem crer no acaso

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