túnel

dentro de um túnel, está vazio e noturno. as luzes amarelas acesas falham. eu sei que se eu continuar caminhando, vou chegar à luz do dia. você me emprestará um isqueiro pra acender meu cigarro, com seu sorriso de coisas bobas. vejo o contorno da sua sombra, quero te cantar uma música nova que ainda não compus. uma melodia estranha que você ouviria enquanto os muros caem. mas aqui diante de você eu só me sinto assustada. fico emudecida, quero me esconder atrás de qualquer arbusto. quero só te olhar de longe, sem o risco do encontro. admirar o que talvez tenha sido um amor de uma calçada na paulista e algumas escadas rolantes. e depois fugir. vou correr quilômetros por dentro desse túnel, continuar no escuro. aqui não chove, estou segura e seca, longe da sua boca.

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