teu nome na boca do sapo

longe fica o coração das coisas sujas
mata fechada e espinhada
floresce raramente no ano

num ano de seca
flores não sobrevivem
desbotam

a travessia é deserto e lodo
calce bem as botas
carregue bem as munições

em temporada de míngua
poucas são as luas
propícias para caça

todos os bichos são peçonhentos
mesmo os sapos mais saltitantes
e até o pássaros preferem a rapina

ainda é deserto
ainda não é verão
ainda é deserto

enquanto não chove
noite estrelada e gota
e beijo e beijo e beijo

lava essa boca antes de me engolir
lava essa cara antes de me cativar
lava essa dúvida com cândida

cândida, cândida, cândida,
freguesia que te compra
a lábia transcrita em poesia

eu volto pra minha selvageria
toda dentes e unhas e sangue
mordo até despedaçar

até o caroço
até os ossos
até seu pescoço

volto num arrepio
fujo num rodopio
e te lanço um registro

te transformo fotografia
te transcrevo em poesia
te atravesso de ironia

e por último te assalto
não o rosto, mas o gozo
e te desarmo com gosto

de quero mais

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