assédio disfarçado

você me roubou todos os nãos
todos eles, um por um,
quando eu não quis
quando eu não pude
quando eu não soube
quando eu não —

do alto do seu privilégio
você passou como um trator
pedindo docemente
cercando gentilmente
conduzindo labiosamente
convencendo-me de que —

eu não era dona dos meus desejos
nem podia definir meus quereres
nem sabia dos meus poderes
em trancar o seu caminho
até a minha boca
até a minha roupa
até a minha teta
até a minha —

você sabe o quê

eu sufocada na minha contramão
indiciada pela suposta permissão
os orifícios arrolhados de culpa
e ocupados com a sua invasão
não era seu direito
não era seu direito
não era seu direito
não era seu —

é meu.

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