de um domingo qualquer

eu me desconecto do seu beijo
que veio frouxo
com gosto de ressaca
quem bebe muito sofrimento
acaba não tendo sede pro amor

e a ladeira era de uma preguiça
eu com o peso da mochila
você com o peso do passado
a gente andou devagar
talvez querendo voltar pro beijo
mas a ressaca fazia andar
mesmo que lentamente
pra onde? é que eu não sei

se a varanda da vida
era pra ter brotos de tempero
eu fiquei encostada de canto
avaliando que tipo usar
na minha comida que eu não te fiz

os amigos de longa data
dialogam numa língua sagaz
que usa sal pirata pra carne
e citam gente famosa
de quem nunca ouvi falar

como prato principal
eu ia te escrever uma língua nova
nosso gosto ia ser um código secreto
que só os amantes entendem
em silêncio
nosso gozo ia ter um código secreto
que só os passantes captam
e aplaudem

a gente se esconde na sombra
pra ninguém ver que faz sol
enquanto a gente se espera

com uma desculpa corriqueira
você me leva embora
porque temos hora
mas virando a esquina
eu quero que você me coma
porque temos horas

a gente desenrola esse novelo
a gente conta uma novena
a gente até faz uma novela
com um papel patético
que faz nó até próprios sapatos
e tropeça

a nossa prudência
é usar preservativo no coração
pra não pegar amor no descuido

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