riscos sob dedos

com os olhos fechados, você me lia com as mãos, cheio daquele mesmo cuidado com que manejava seus vinis, passando pelas bordas e, linha por linha, como que só de tocar pudesse ouvir a música, sinto como se eu cantasse dentro silenciosamente pra você acompanhar no seu violão invisível alguma canção que não inventamos ainda, mas que já existe quando nos beijamos, quando nos pegamos, quando nos catamos aos cacos, quando nos quebramos em notas semiafinadas, quando nos ruímos feito prédios antigos ou almas antigas, quando nos chocamos como um acidente de trânsito ou um reencontro cósmico-vascular, quando nos queremos sem que nada impeça, quando perdemos a razão e fechamos os olhos, você me lê com as mãos e está cheio do seu cuidado com que escolhe seus vinis, coloca a agulha sobre as digitais e me toca, me toca, me toca até os ouvidos cansarem com a nossa falta de fôlego.

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