diálogo não verbal

nós temos dois diálogos paralelos
no primeiro, está bem claro
só queremos ipês amarelos
no letreiro do motel barato
com suas pilastras coríntias
os cigarros jônicos acesos
você me contempla ainda
falando de todos os medos
eu nos proíbo de falar sério
quero virar outro poema
pra nossa transa ser império
dentro do templo de atenas
nossa falácia incoerente
cheias de nãos contraditórios
proibiu o óbvio da gente
olhares de paradoxo dório
nosso corpo falava ao avesso
quando em silêncio gozamos
não quisemos saber o preço
e pele na pele conversamos
as verdades impronunciáveis
enumeramos os escudos
e os traumas mais irreparáveis
gritamos um amor mudo

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