janela acesa no quinto andar

os sonhos jogados pela janela do quinto andar
caíram devagar como roupas sujas
de quem não cabe nas minhas medidas
era você
com seu passo quarenta e dois
estampas de camisetas que me fizeram par
no espelho do elevador
fomos bonitos pra uma pintura moderna
que derrete porque é líquida
aquarela lavada na chuva
do beijo de alguém que amei por engano
de quem roubaria a camisa pra usar de pijama
ou o coração pra acender na minha cabeceira
alumiando a leitura de poemas sujos

sua prosa rançosa me desgastou o cerebelo
perdi o equilíbrio ao andar entre as árvores
comi mais de cinquenta combinações de versos
enquanto mordia sua boca
e você tirava meu pudor como quem recolhe as roupas do varal

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