mantra para calar o coração

no oco das nossas costelas
reunimos uma bateria inteira
pro samba enredo desfilar
na avenida lins de vasconcelos
os peitos zabumbaram graves
os refrões cantados sob a janela
enquanto fez chuva no asfalto
fez nuvem sobre nossas certezas
esqueci meu nome na sua gaveta
e fui perdendo o que antes eu era
me tornando mármore cervical
esmagando corais esponjosos
na palma das mãos suadas
você numa escultura adornada
escondendo o rosto e a alma
cresceu árvore em vez do pescoço
plantou raízes ali mesmo
seus cabelos brotavam outonos
para a próxima estação amena
para a próxima canção amena
para a próxima destruição amena

vou cair no abalo sísmico da pele
vou cair no abismo orgásmico
me empresta um pouco da sua gravidade
antes que eu me desfaça
até o tálamo

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