átrio azul

os ramos escorrem na contraluz
estamos escondidos numa clareira
e somos protagonistas num palco
apesar dos holofotes acesos
agimos como se ninguém assistisse
nossos diálogos milimetricamente
escritos por dalí ou boñuel
falamos em versos próprios
isentos de qualquer paixonite
fomos entrelaçando em nosso peito
ideias de um mundo caótico
em que se podia andar de bicicleta
e ver o sol nascer no parque
com gosto de uísque barato na boca
os galhos se fecham como cortinas
são panos em tiras rasgadas
que fizeram um dia com nossos sonhos
mas sob sua copa nada nos descobre
embora vestidos, estamos nus
nos olhos um do outro atentos
mastigando outra garfada devagar
mas nos comendo em pensamento

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