infelizes

fui desmoronada a cada ato
com minha face desfigurada
meus pedaços nas máscaras
de cada terrorista em cena
desfacelada em seu retrato
preto e branco rajado
feixes de luz e meu perfil
o palco que se esvazia
a fome ocupando ruas
os corpos gritando chega
às barricadas com seus escudos
multidão inteira esgoelando
e o eco nos boeiros sujos
meu vômito no esgoto
seu mijo na parede
tudo está uma merda
disseram no pixo apressado
uma ferroada no peito
bala de borracha que cega
os asfalto em chamas
a nós amontoados juntos
reviramos numa cama crua
sem lençóis ou cabeceiras
mas os pés entre as cabeças
ofegando uma insaciedade
que não enche a nossa mesa

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