afagamento

aos poucos a gente se apaga
no breu da noite anuviada
se apaga
enquanto a bituca se consome em cinzas
se apaga
nos corpos que se tocam misturados
se apaga
quando os olhos fecham
a gente se apaga
quando dorme sem sonhos
se apaga
nos goles largos das canecas etílicas
se apaga
na brasa pela manhã ruidosa
se apaga
a cada tiro pelas narinas
se apaga
quando afoga no choro descontrolado
a gente se apaga
no silêncio que os outros nos calam

aos poucos a gente se acaba
sobretudo no apagamento

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