amargo quase beijo

Como se morresse de sede, virei-o ali inteiro, veneno. Em minha boca, amargo. Mas antes que pudesse festejar em goles turvos, interrompeu-me suplicando que lhe doasse um pouco da minha morte. Eu, confundida sobretudo pelas luzes, deixei-me ser roubada. Minha boca então dormente pela meia dose e silenciada pela sua falta de violência. Não soube dizer que sim ou que não, apenas não morri de frio. Perdi os sentidos, pisquei umas vezes, desacreditada da sobrenaturalidade dos quase beijos, que salvam até os olhos trôpegos do precipício. E as papilas sobreviventes do risco que foi cair em sua boca.

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