quando eu digo que vou embora

Estou interessada.

Nas formas desencontradas que as baforadas do cigarro fazem no ar. Elas são como todos esses rodeios, os desvios que pego pra não estar até as quatro ou cinco da manhã na sua companhia. Eu podia ser dona do tempo, colocar no congelador, guardar para as próximas doses um pouco do seu falar arrastado. Dar goles dos seus risos quando me desse sede.

Estou correndo de patins numa grande pista, curvas à direita e à esquerda, dançando com o meu desejo frenético de ser sincera a cada vez que o portão se tranca. Nos buracos, tropeço, despedaço-me no chão de cimento, você me chama pra ouvir sua música. Seus segredos caem como gotas de veneno em meu estômago. Cala essa boca.

Poderia jogar pedregulhos nessa sua cara. Eles beijar-te-iam violentos.

Estou interessada nesse minuto de abraço, no soslaio com que me encara, nos joelhos que se esbarram propositalmente, no beijo em meu ombro frio, nos dedos nos meus cabelos, no que eu digo quando não digo nada. Estou interessada no silêncio que existe nas pausas. Essas pausas.

Estou interessada.

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