asfalto que dá na terra

na rua, o som dos sapatos clap clap no asfalto, a solidão da noite me acompanha até a porta da sua casa. era a noite com seus postes amarelos falhantes sob as árvores sem poda. eu adoro o meu andar sozinha no escuro, caminhante fora da calçada, lua grande me ofuscando na imensidão da cidade. quantas vezes andei pelas mesmas quadras soturna e aos ouvidos aguçados? o meu calar é respiro, que até desacostumei a compartilhar meu silencioso caminhar por estas ruas vazias com mato crescendo onde há rachaduras. não sei como morder a noite sem deixar marca de batom no cangote da madrugada, nem sei inspirar meus próximos versos sem antes acender meu cigarro. mas, veja só que tive a humildade de beijar-te antes mesmo de tragar as cinzas. um erro desse só pode ser deslize de astros mal intencionados, que apagam a luz do poste quando estamos passando, sem saber bem onde estamos indo numa rua sem saída.

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