beiral noturno da janela

a noite nada mais é do que dois cafés
uma cinta liga de clichês
um coro de memes em dissonância
o sopro das cinzas pela janela
a luz amarela do poste
versos mal feitos pro seu amor
que de amor nada tem senão as favas e as velas
reza pro santo do oitavo dia
a descrença de ramos e de reis
janeiro está longe
viajamos quiçá pro rio
braços abertos sobre a baía da guanabara
braçadas em vão sob ondas e brisas
daquele trago nas sedas do oriente submerso
a filosofia da perdida atlântida
os cuidados sacerdotais das fadas
o beijo fictício na esquina
as sequenciais dúvidas de se você bem-me-quer
ou mal-me-quer
os quereres fantasiosos dos desbravadores
que nunca tiveram oportunidade
de tentar a praticidade das causas mais nobres
o corpo que fala cativante
as enquetes, as esquetes e as pantomimas
a circunstância do tônus eretus
o prédio, a arquitetura das vibrações
instantes inconstantes e instáveis
instalações por intermédio alheio
dos braços amigos acolhedores
que vão, que vamos, que vai
vai, sim, amiga, que você consegue

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