joão sem dona

o amanhecer é uma transa preguiçosa
no apartamento minimalista de Santa Teresa
rachaduras na parede de gesso
pedaços de pintura descascada
janela enorme que abre pra rua
paralelepípedos hexagonais encaixados
no quebra-cabeça de dois corpos
ao som da Tulipa e gosto dos cigarros
recém apagados no cinzeiro de porcelana
falta café filtrado na cozinha
e eu nua na sala de estar
folheio dos livros de shibari e Niemeyer
o sotaque da planície brasiliense

o amanhecer é um caro atraso
em troca de beijos e roteiros de cinema

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