Último abraço na neblina

Depois do abraço: fundo
onde me encontrei com minha Calma,
e você, desesperado, fugiu
como o diabo foge da cruz

eu chorei aquela noite
como não fazia há mais de ano,
chorei de coração partido, a Dor
da frustração quando a gente descobre
que tá amando Sozinha
numa via de uma mão só

Me vi indo naquela rua escura
e doeu demais esse abraço.

Depois disso eu parei
de sentir – meu Corpo
se lacrou feito uma múmia
embalsamada contra sentimentos

eu parei de sentir tudo – até fome.

Virei uma pedra, uma escultura,
uma estátua, um jazigo, uma lápide.
Meu rosto ficou fundo,
cavado e cinza:
pensei que ia morrer mas
não tive febre,

estava Viva
como uma planta murcha
saindo da terra.

Parei de sentir como se
tivessem me desligado da tomada
ou como se dentro
tudo já fora Tão sentido que
a vida útil se fora também.

Fiquei só os olhos vidrados
e acordada.
A janela fechada, os carros passando,
o ponteiro do relógio seguindo,
outra volta. Passei dias,

ofuscante torpor.

Quando meu Ser sobremergia
era uma ânsia e o choro voltava
alagando qualquer intervalo.

Um comentário sobre “Último abraço na neblina

  1. mararomaro poesia disse:

    Gratidão! Aliás, junte seus poemas em livro, vamos deixar em livro, vai ficar legal, um dia teremos nossos livros um no colo do outro na nossa estante. Já pensou que legal? Acredite, não desanime com qualquer obstáculo, faço o livro, depois ache uma editora. Haveremos de ser vizinhas de estante. Imagina só esse instante! Vamos ser. Beijos!

    Curtir

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