baião de dois

quando atravesso a heitor penteado
lembro-me daquele almoço de domingo
toalha xadrez na mesa pra dois
o baião de dois e a fome de dois
a conta que a gente nem podia pagar
mas que pagamos satisfeitos e civis

quando passo pelo cemitério
a subida eterna da arcoverde
o peso de um mundo nas costas
mas a leveza de quem não dormiu
a noite inteira, a noite inteira
mas que atravessamos felizes

quando passo pelo bar do seu zé
aliviada sei que abafei lembranças
comi e bebi com outras pessoas
a quem sempre indico a esquina
empanada de carne seca e mandioca
pra mim com gosto da sua boca ainda

quando atravesso aquele sinal amarelo
lembro-me da chuva que começou leve
depois apertou como nosso abraço
que até a sensualidade molhou o rosto
na varanda da presidência da noite
guitarras e cítaras e cigarras

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