a fundo

espetáculo de luzes
cromia e sintonias
não corre assim
na minha direção
como se estivesse deserto
– uma multidão – areia fina
na pele abre erosão
quando explode: estrela
se eu mergulho nos seus cristalinos
cachoeira obsoleta nos olhos
arrepio em noite quente
profundezas onde me perco
seu ser desconhecido treme
nossas buscas translaçadas
reconheço (neste brilho todo
tem me resgatado da escuridão)

espalhadores

quebrava um vidro de tinta
no meio do chão de taco
esparramava-me líquida
manchando rodapés e paredes
eu espirrei desacelerada
chuva no meio do quarto
pra ser pintura fresca
e a carne fresca
entre as roupas amassadas
eu me vi nu e te vi nua
eu mulher e você homem
trocados no espelho dos olhos
na bagunça da sua casa
eu tinta e você chão
esparramamo-nos
pra ser bagunça um do outro