a maré maré

amores são
como marés
altas e bravas
cheias de tormenta
baixas e mansas
águas limpas na areia

amores se vão
e voltam na praia
com a mesma intensidade
e melancolia na borda
viram espuma
– e somem
enchem a orla
e o peito
arrastam-me ao fundo
o mar é traiçoeiro
intento de afogamento

que desespero esse!

nadar e nadar
trombas d’água
joelhos ralados na areia
toda vez que me banho
apaixono-me assim

o mesmo amor
maré cheia

amasso-me
esqueço-te
maré baixa

quando acho que te esqueci
mergulho e percebo que
sempre voltas – e reviravoltas
seu beijo de sal me enche
à lembrança do mar revolto
eis-te maré, nada

constante

Analândia-SP

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Círculo de Mulheres sobre a deusa Kali

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incensário

feito uma fumaça de incenso
veio invadindo os poros
respirei intrigada um ensejo de contentamento
os olhos se desarmaram em par
enquanto de gozo vestiam-se
ambos cientes do erro
que era uma entrega de correspondência
em caixas de correio numeradas
número trinta e três de porta fechada
e o peito que se escancara
nudez de alma não se cala
mas o silêncio oco dos corpos
eventualmente só bate pulso
pra gente se olhar feliz
um segundo solto
que é deslize
curva de rio
desenho das cinzas que sobem sobre o incensário

Making of Bia Camargo

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Priscila Dudziak

exposição ‘estética como objeto do corpo’

Exposição do projeto “Estética como objeto do corpo” durante a vernissage, na Casa do Lago.

Registro de Márcio Massamitsu Ota.