ricocheteio

meu peito é um escudo
onde farpas não atingem
fogo fátuo acende miragem
trocentas rotações por minuto
circunscreve devagar
tatuagens em agulha sagaz
afinada em tom de cais
chovendo no mesmo lugar
girando mundos de poesia
fazendo coro em terça menor
rimas de quarteto ao redor
de todo ruído e cacofonia
meu orgasmo é reticente
minha órbita gravitacional
impulso sonoro atemporal
girando repetidamente

destruição

destroços de alma vacante
fico estilhaçada no cosmo
contagem regressiva no infinito
arma de destruição em massa
que se instala
feito vírus
no seu antebeijo
explosão atômica
de pouco caso
de muito caos
ranger de dentes
unhas na lousa
arrepio tênue
eu morro de sede aos poucos
se sua boca vai embora

viagem astral

aqui dentro é um buraco negro
quando você entrar, perder-se-á
será febre dentro do cosmo
fará fusão de tantas luzes
que até a escuridão se acenderá

voa alto, astronauta
vem desbravar essa galáxia
feita de rosas desabrochadas
com gosto de chá de melissas
queimando sóis a deus-dará

em chãos de giz pastéis
pousa devagarinho na minha pele
com a gravidade de uma brisa
eleve-me às suas questões vitais
de ser náufrago no azul celeste

chega perto, astronauta
das cavernas mais abissais
vem ver o universo do avesso
e beijar estrelas cadentes
que correm velocidades cardinais

garanto essa explosão cósmica
nesse grão de areia no céu vazio
em meus botões de buraco negro
cabem mais universos psíquicos
que dentro da sua mão viril